a estratégia da compreensão do mundo não é uma grande iluminação, é uma Breve Iluminação



... a estratégia da compreensão do mundo 
não é uma grande iluminação, 
é uma Breve Iluminação

Wu Jyh Cherng



Para querer iniciar o enfraquecimento
É necessário consolidar o fortalecimento

O que é enfraquecer?

É tornar algo mais brando, mais flexível, mais suave.  Para tanto, é preciso primeiramente consolidar o fortalecimento.  Sem força, não se pode enfraquecer.  Só se pode tornar algo suave se isso já foi forte.  A força deve ser consolidada para que seja enfraquecida.

No sentido da estratégia, se quisermos enfraquecer alguém, devemos primeiramente fazer com que essa pessoa se sinta forte.  Se alguém se sente forte, abandona as defesas.  Uma pessoa frágil é mais alerta e, sabendo de sua fragilidade, o perigo será derrubado.  Uma pessoa com força, tem menos capacidade de auto-preservação e de proteção.   A força torna a pessoa mais arrogante, mais ousada em sua conduta.  E essa ousadia, esse risco, é parte de sua destruição, de seu enfraquecimento.  Uma pessoa que se considere perfeita e capaz de tudo, perde sua força.  Isso é o começo do declínio.  Essa é a lei da natureza.  O declínio do verão surge no auge do verão.

Maquiavelicamente falando, se quisermos derrubar uma pessoa forte, temos que oferecer-lhe mais força para torná-la ainda mais forte e assim, em seu auge de poder, o declínio terá seu início.

Existe um texto sobre estratégia de guerra que diz assim: 
Você quer derrotar o seu inimigo - sendo você o mais forte - isso é uma atitude inferior.
Você quer derrotar um inimigo que é mais forte que você - isso é uma atitude superior.
Porém, a atitude mais superior de todas é a do próprio inimigo se derrotar - porque ele é mais forte do que você - e assim, é derrotado por si mesmo.  esse é o mais alto nível.


Para querer iniciar o abandono
É necessário consolidar o amparo

Só podemos deixar algo, se o ampararmos.  Só podemos deixar os filhos, o rebanho, prontos para o mundo se os ampararmos.  Para se alcançar a liberdade de voar a vida, é necessário um preparo.  Uma sociedade, para ser liberal, precisa ser absolutamente rígida, preparando um amparo social que permita às pessoas viverem livremente.

É interessante percebermos que um símbolo puro pode ser entendido tanto de uma maneira pura como de uma maneira maquiavélica.

Como o Taoísmo fala essencialmente sobre o Caminho da Consciência, devemos ter lucidez para sabermos que muitas vezes nossas atitudes podem ser vistas de uma forma ou de outra.

Isso se chama Breve Iluminação.

Essa maneira de o Taoísmo trabalhar - a estratégia da compreensão do mundo -, não é uma grande iluminação, é uma Breve Iluminação.  Esse pequeno saber é valoroso enquanto não se alcança a Grande Iluminação.



Para querer iniciar a subtração
É necessário consolidar o aumento
Subtrair é tomar, é tirar.

No Taoísmo, existe o conceito da subtração: todas as coisas e todos os seres estão interligados, co-ligados.  Todos ‘tiram’ energia uns dos outros.

Na teoria dos cinco elementos:
-          O fogo vem depois da madeira: o fogo tira a energia da madeira e se torna fogo.
-          A terra vem depois do fogo: a terra tira a energia do fogo e se torna terra.
-          O mental vem depois da terra: o mental tira a energia da terra e se torna metal.
-          A água vem do metal: a água tira a energia do metal e se torna água.

Assim se forma um grande ciclo.  Isso é subtração.  Todo o universo está ao mesmo tempo doando e retirando de si mesmo.

Ao falarmos, nossa energia vital sai através da palavra e com o ouvido, captamos a energia do falar de outrem.
Ao olharmos para alguém, essa energia sai de nós e entra na pessoa. 

Assim se faz a integração de energias.  Isto está em toda a parte, em todos os momentos.

No entanto, daquilo que se retira, também se dá.  É preciso, então, aumentar a nossa capacidade de receber para podermos doar.


O suave e o fraco vencem o rígido e o forte

Lao Tse quer dizer que a suavidade e a flexibilidade permitem a durabilidade das coisas.  Durante a tempestade, são as grandes árvores aquelas que são arrancadas do chão enquanto o capim resiste à grande força.

O vazio, o espaço e a grandeza da água são fracos perante a rocha.  No entanto, a rocha se quebra e a água, não.  Assim, Ele quer dizer que a suavidade tem a capacidade de durar mais tempo.

Essa frase conclui o que Ele diz nos versos anteriores.  Ele falou do recolhimento, do enfraquecimento, do abandono, da subtração, do processo de interiorização e de suavização.

A suavidade é melhor do que a força.  Apenas a suavidade vinda da forma e não a suavidade como ausência da força.  Saber ter força que se transforma em suavidade.  E não ser suave porque não se tem força.

É o Yin abrangente que tem a transcendência do Yang e não o Yin como ausência do Yang.

A verdadeira suavidade é se fortalecer para poder ser suave.  Suavidade não como ausência de força mas sim como transcendência de força.

Os peixes não podem separar-se do lago

Na linguagem da Alquimia, o peixe é a Consciência, e o lago, a água, é o Sopro, a energia vital.  A Consciência só é viva quando está dentro da Energia Vital.

Se quisermos transcender, primeiramente temos que ter a vida.  É preciso que o homem não se separe do seu Caminho, assim como o peixe não pode abandonar a água.



Capítulo 36


Para querer iniciar o recolhimento
É necessário consolidar a expansão
Para querer iniciar o enfraquecimento
É necessário consolidar o fortalecimento
Para querer iniciar o abandono
É necessário consolidar o amparo
Para querer iniciar a subtração
É necessário consolidar o aumento
Isso se chama Breve Iluminação.

O suave e o fraco vencem o rígido e o forte
Os peixes não podem separar-se do lago
O reino que tem o instrumento afiado
Não pode colocá-lo à vista do homem.

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Foto: Sítio das Estrelas, Janine



TAO TE CHING

O LIVRO DO CAMINHO E DA VIRTUDE

Lao Tse, o Mestre do Tao

Tradução e Interpretação do Capítulo 36
do Tao Te Ching, de Lao Tse,
por WU JYH CHERNG

Transcrição e Síntese de Aula Gravada na Sociedade Taoísta do Brasil,
Rio de Janeiro, em 28 de março de 1995

Transcrição e Síntese de Janine Milward


A tradução dos Capítulos do Tao Te Ching foi realizada por Wu Jyh Cherng,
do chinês para o português,
 e foi primeiramente publicada pela Editora Ursa Maior,
sendo hoje  publicada pela Editora Mauad, São Paulo, Brasil

Nesta mesma Editora, encontra-se ainda no prelo
a realização da publicação, em breve, das interpretações de Wu Jyh Cherng
 acerca os 81 Capítulos da obra máxima de Lao Tse, o Tao Te Ching