Quem conhece o Princípio ancestral, Encontrará a ordem do Caminho.

TAO TE CHING
O LIVRO DO CAMINHO E DA VIRTUDE
LAO TSE, o Mestre do Tao
Tradução e Interpretação do Capítulo 14
do Tao Te Ching, de Lao Tse,
por WU JYH CHERNG

Capítulo 14

Aquilo que se olha e não se vê, se chama invisível
Aquilo que se escuta e não se ouve, se chama inaudível
Aquilo que se abraça e não se possui, se chama impalpável
Estes três não podem ser revelados
Por isso se fundem e se tornam um

Quando superior não é luminoso
Quando inferior não é vago

O Constante que não pode ser nomeado
É o retorno à não-existência
É a expressão da não-expressão
É a imagem da não-existência
A isso se chama indeterminado

Encarando-o, não vejo sua face
Seguindo-o, não vejo suas costas

Quem mantém o Caminho Ancestral,
Poderá governar a existência presente
Quem conhece o Princípio ancestral,
Encontrará a ordem do Caminho.

Nota da Transcritora: Este Capítulo foi interpretado em duas aulas.

No primeiro trecho, aparentemente, Lao Tse está no falando sobre o óbvio: aquilo que não se Vê se chama invisível, aquilo que não se ouve se chama inaudível, o que não se possui se chama impalpável.

Se ele dissesse o contrário, que o que não se Vê se chama visível, aí então estaria em contradição. No entanto, para que o invisível, o inaudível e o impalpável possam ser visível, audível e palpável, têm que ser o que se olha, o que se escuta e o que se abraça. Ao mesmo tempo que não se vê, que não se ouve e que não se possui.

Nessas três frases Ele fala da importância de se encontrar algo que está além dos sentidos.

Ele diz que
- olhar é diferente de ver
- escutar é diferente de ouvir
- abraçar é diferente de possuir

A terceira frase que diz: “Aquilo que se abraça e não se possui, se chama impalpável” é bem mais fácil de entender porque no Capítulo anterior, Lao Tse diz que o Homem Sagrado abraça o mundo mas não possui o mundo.

O abraço que não possui não é o abraçar a forma. E não é uma forma de abraço. Qualquer coisa que tenha uma forma pode ser abraçada. É palpável. Quando se abraça sem possuir, não se pode abraçar através da forma. Nosso corpo é uma forma. Uma forma abraça outra forma. Para poder abraçar sem possuir não se pode abraçar através da forma.

Dessa maneira, Lao Tse está falando em ver, escutar e abraçar aquilo que não tem forma.

Em seguida, através da não-forma, pode-se abraçar o que se vê, o que se ouve, o que é palpável.

Em relação às coisas do mundo, devemos abraça-las através da não-intenção, do não-julgamento. Dessa maneira, podemos ver mas não olhar; abraçar mas não possuir; escutar mas não ouvir.

Aquilo que é invisível, inaudível e impalpável não pode ser visto através dos olhos, nem ouvido através dos ouvidos, nem apalpado com as mãos.

É preciso se ouvir através de um sentido mais profundo. Ver, não através dos olhos e sim com a consciência mais profunda. Abraçar, não com as mãos mas através de um sentido mais profundo.

Ao mesmo tempo que se fala de uma busca, de uma procura de algo que está além da linguagem. Tudo o que pode ser visto, ouvido, apalpado, são cosias que estão dentro da linguagem.

Ele fala de se buscar algo que está além da linguagem, além da forma. Além da limitação. Além do tempo e além do espaço. Esse algo que é infinito, indivisível, que não tem forma e não tem imagem nem linguagem, é o que chamamos de Tao. A pessoa que consegue encontrar esse algo, está se realizando no Tao.

Essa é exatamente a busca do Tao.

Por outro lado, Lao Tse nos diz que isso também não significa que iremos renunciar ao que está do lado de cá.,

Não podemos deixar de viver e encarar a vida, ou seja, a busca desse algo que está além do tempo e do espaço, não serve como pretexto para deixarmos de ser responsáveis, para deixarmos de trabalhar, de viver a vida, de fazer o que tem que ser feito.

Se pressupormos esse algo infinito que não tem forma nem imagem como algo fóra de nós, estaremos buscando algo f´ra de nós. E isso é uma espécie de fuga.

A infinitude se encontra dentro de nós.

E porque essa infinitude está dentro de nós é que a maneira de encontrá-la é vivê-la! Vivê-la é utilizá-la para viver a coisa certa. Ou seja, viver através do não-julgamento, da não-intenção, da não-linguagem, do coração esvaziado, transparente e quieto para encarar tudo aquilo que está em torno de nós, que nos envolve.

Isso é o que Ele quer significar quando diz “olhar e não ver, escutar e não ouvir, abraçar e não possuir”.

Sempre que queremos abraçar e possuir algo passamos a enfrentar nossas grandes frustrações.

Tudo o que existe no mundo que pode ser abraçado, não pode ser possuído. Seu carro um dia apodrecerá, seu amor um dia morrerá ou deixará você. Você pode ter uma ideologia e um dia pode mudar de opinião. Tudo o que existe no universo está em constante transformação e assim, não pode ser abraçado. A fotografia um dia amarela e se perde. A memória de algo que já não mais existe, um dia desaparece.

No Taoísmo, não se projeta uma meta para ser alcançada e depois se projeta outra meta. O tempo inteiro temos que ir integrando as coisas, caminhando junto, sem que haja a intenção de alterar o fluir das coisas.

Quando se faz as coisas com intenção, quando o projeto fica pronto, tem que se buscar outro. A intenção é um condicionamento que não nos permite fluir com naturalidade, que não nos permite nos integrar com o todo, sem barreiras. A intenção é fruto do ego. Na intenção, pensamos que as coisas são eternas e indissolúveis, no entanto, na é eterno ou indissolúvel.

Temos que reconhecer até que ponto é possível ou impossível; temos que reconhecer nossos apegos ou não-apegos. Quando não criamos nenhum truque para esconder nossas incapacidades, aí então teremos a oportunidade de transformá-las.

A intenção não é necessária, é apenas um fator que existe e que, ao ser trabalhado, um dia deixará de existir. A intenção inicial é para despertar a auto-destruição do ego.

Um governante taoísta deve usar a intenção de governar seu povo, administrar o país de acordo com as necessidades de seu povo, ele tem que abraçar o povo sem possuí-lo, sem dominá-lo. Tem que deixar o destino do povo fluir, sendo apenas um assistente e não um interventor.

Uma consciência em estado mais puro não tem desejo, não tem intenção, não tem julgamento. É uma consciência transparente.

O Homem Sagrado é aquele que realiza obras para as pessoas e essas pessoas nem realmente percebem que foram beneficiadas. O Homem Sagrado não tem necessidade de ser reconhecido. Faz o que tem que ser feito e quando chega a hora, se retirar e pronto. Acabou.

Chung Tzu, em um dos seus contos, fala de um encontro simulado entre três pessoas provenientes de três reinos. Essas pessoas falam cada um sobre seu país:

O primeiro diz: Meu governante é um tirano, explorador, escravizador.
O segundo diz: Meu rei é muito bom, organizador, as leis são claras, tudo está em seu lugar.
O terceiro diz: Não sei quem é meu rei. O povo vive, planta, colhe e tudo acontece. Nunca vimos o rei, nem ouvimos falar sobre ele, nem ao menos sabemos onde vive.

Essa é a utopia do Taoísmo. As coisas apenas são e não precisam aparecer nem serem reconhecidas. Apenas são.

Nosso corpo é um pequeno reino. Temos mil pedacinhos dentro de nós. E temos um governante que é nossa consciência, nossa mente. Nossa consciência faz com que nosso corpo, ou seja, nossa totalidade, possa fluir sem sentir o peso da consciência. e a consciência nunca deixa de fazer as cosias. Apenas que deve ser transparente, menos julgadora, mais quieta, ouvindo as necessidades de cada célula, de cada osso, de cada músculo. Não através de um processo racional mas através de um processo natural de correspondência que a tudo soluciona, fazendo com que o corpo todo fique em harmonia.

Isso é a primeira governança. A través desse conceito do Taoísmo, a pessoa dá seu primeiro passo na convivência com tudo. E usa esse mesmo princípio para administrar tudo aquilo que está em torno de sua vida, sua família, seu trabalho, todo o ciclo. Realizando a vida nesse princípio, a pessoa pode expandir e organizar sua convivência com o mundo inteiro.

A consciência é o núcleo de onde tudo gira em torno: nosso corpo, nosso sangue, nossa energia, tudo o que está vivo em nós. Nosso espírito, nossa consciência é um centro de gravidade, como se fosse um imã.

Igualmente, o homem, através de um processo de auto-realização, se torna um espírito puro que se amplia se tornando um espírito iluminado em nível individual, depois familiar e social, então da sociedade e um monte de pessoas girarão em torno desse espírito iluminado. Quanto maior o grau de iluminação, maior grau se torna o espírito para o mundo. Esse é o processo de Sagração do Homem.

Isso é o que chamamos de Tao.

O Tao é algo bonito, algo como a união da consciência e a vida, algo vital que possui em si uma consciência.

Para isso acontecer, em nossa prática de meditação, temos que colocar a consciência dentro do ar que respiramos.

Com o tempo, em nossa meditação, a respiração vai ficando mais lenta, mais lenta até que a respiração física fica praticamente parada. Ficamos todo o tempo observando a respiração e chaga uma hora em que não se tem mais respiração. Com o tempo, se sente uma força suave, bem suave e vamos nos integrando com esta força. Essa experiência é invisível, inaudível e impalpável, porém existente.

No Taoísmo, existe um conceito muito importante sobre o Caminho Esotérico. Essa definição diz que o Caminho Esotérico não significa astrologia, tarot, magia, etc. O Caminho Esotérico é uma experiência que somente a pessoa pode saborear. Onde a consciência rompe as barreiras daquilo que é visível, audível e palpável. É quando a consciência consegue romper as barreiras físicas do visual, do auditivo e do sensorial e consegue entrar no universo. E aí encontra uma força, que é a força primordial, uma força que é a raíz do universo. É quando se consegue mergulhar para dentro desse universo, dessa força, e fluir com esta força e se tornar a própria força.

Nesse momento, se alcança uma experiência que não pode ser descrita através das palavras ou das imagens ou da forma ou da linguagem.

Uma sensação, uma compreensão, uma consciência que só nós sabemos que lá chegamos. Isso é o Caminho Esotérico. Um caminho de segredos, um caminho interior. Interior no sentido de que não é visível aos outros.

Nos trechos posteriores, Lao Tse vai falar sobre isso. essa experiência é uma experiência única, ou seja, é uma experiência que não dividimos com ninguém. Não existem polaridades, estamos num estado onde tudo é um só. É como se tivéssemos diferentes cores de tinta, vermelho, azul, amarelo, verde, laranja... e, ao juntá-las todas, teremos uma mistura, sem nenhuma definição.

A nossa consciência, em sua viagem interior, chega a um ponto onde não existe a separação das coisas. É algo indivisível e inseparável como se fosse um caos - esse caos é exatamente a raiz do universo. É lá que nascem todas as forças e todos os verdadeiros e eternos poderes que geram os seres, os planetas, as galáxias e todos os espíritos.

Nessa hora se chegou à raiz do universo e nos tornamos a raiz do universo. A raiz do universo é o que chamamos de caos primordial.

Para se mergulhar no caos primordial, é preciso ter despojamento, tirar as amarras, as limitações e, inevitalmente, jogar o ego fóra.

Entramos profundamente e quando atingimos a raiz do universo, passamos a ser o centro de todas as coisas, e então podemos perceber que tudo aquilo que jogamos fóra, não foi perdido, simplesmente se tornou periferia em nossa vida e não mais o centro de nossa vida.

Portanto, o Homem Sagrado que alcança a plenitude da vida e da consciência, não se torna incapacitado nem perde a memória, pelo contrário, ele passa a ser a raiz que tem acesso a todas as atividades, trabalhos e acontecimentos. Ele passa a ter suas potencialidades aumentadas e não diminuídas.

Para se descobrir essa experiência não precisa se chegar até a raiz. Existem muitas dimensões com estágios da consciência de acordo com o nível em que estamos vivendo. De uma raiz nascem dois terminais que se expandem até o infinito, progressivamente. Nessas infinitas expansões, existe um centro.

Na prática mística, esse mergulho ao caos primordial é gradual, leva tempo; às vezes anos vidas e mais vidas para se realizar essa viagem. Cada vez se consegue ir mais profundamente.

Na prática mística, vemos que a consciência, em vez de se limitar, se amplia. Não precisa se atingir o último ponto - o caos primordial - para poder abraçar todas as coisas. Andando um milésimo, teremos um milésimo de resultado que é análogo ou similar a aquele de quem chegou até o centro, à raiz. Apenas que, quem atinge o centro, atinge uma plenitude absoluta. Quem alcança outros pontos, atinge uma plenitude mais limitada. No entanto, sempre haverá uma ampliação da consciência.

Por isso, a prática da meditação é essencial. É um instrumento para desenvolvermos nossa ascensão.

Por que se faz isso?

Porque numa condição comum, é muito difícil realizar a subida da consciência. nossos hábitos, costumes e problemas cotidianos nos viciam. Comportamentos de ira e de raiva fazem com que nossa consciência não transcenda.

Por isso devemos, diariamente, tirar uma hora do nosso cotidiano de vida, sem interferência de ninguém, para podermos desenvolver essa quietude interior para se tentar mergulhar no caos primordial.

Em seguida, Lao Tse diz:

Quando superior não é luminoso
Quando inferior não é vago

Uma consciência transparente não é ofuscante. Os mestres taoístas são humildes. Não irradiam luzes ofuscantes. Agem como pessoas normais.

Quem vive o Tao, vive com simplicidade.

Na verdade, nem todos os mestres taoístas chegaram ao Absoluto. São poucas as pessoas que atingem a vida e a consciência infinitas. Eles podem ser mestres porque já atingiram algumas escalas acima de nós, mais ainda não atingiram o centro.

O mestre taoísta vive como uma pessoa comum.

Mestre Maa, nosso mestre, durante sua vida teve vários problemas quando jovem por causa da primeira guerra mundial. Abandonou a família, viveu só entre os 20 e 35, 40 anos. Encontrou-se com seu mestre, entrou na floresta, se retirou, atingiu um nível bastante alto mas não chegou ao Absoluto. Mais tarde, ele sentiu a necessidade de ter mais segurança social no sentido de ter uma família, casou-se, trabalhou e teve filhos e viveu até se aposentar e depois continuar, paralelamente, ensinando.

No Taoísmo, a primeira coisa que se faz é cair na real. Tentar se conhecer. O que eu consigo, o que eu não consigo, quais são minhas necessidades de vida. tudo isso é muito lento. Não existem ‘receitas’ para se atingir a iluminação.

No processo de iluminação e no processo da consciência, não adianta criar falsas expectativas, criar mentiras para si mesmo.

(Aqui terminou a primeira fita do Capítulo 14 - aparentemente, a aula desse dia terminou aqui - Aula de 13 de setembro de 1994).

Aula de Continuidade ao Capítulo 14
Ministrada em 20 de setembro de 1994

Aquilo que se olha e não se vê, se chama invisível. Aquilo que se escuta e não se ouve, se chama inaudível. Aquilo que se abraça e não se possui, se chama impalpável. Esses três não podem ser revelados. Por isso, se fundem e se tornam um. Quando superior não é luminoso. Quando inferior, não é vago. O Constante que não pode ser nomeado é o retorno à não-existência. É a expressão da não-expressão. É a imagem da não-existência. A isso se chama indeterminado. Encarando-o, não vejo sua face. Seguindo-o, não vejo suas costas. Quem mantém o Caminho Ancestral, poderá governar a existência presente. Quem conhece o Princípio Ancestral, encontrará a Ordem do Caminho.

Na prática mística, esse trecho basicamente se refere ao “Caminho do Céu Anterior” - ao Tao do Céu Anterior.

O Céu Anterior difere do Céu Posterior porque este ultimo representa o universo manifestado e o primeiro, representa a condição prévia do Absoluto, aquilo que não tem forma, nem imagem, nem linguagem. Não tem som, não tem corpo, não pode ser apalpado, não pode ser escutado, não pode ser visto de forma alguma.

Existe um texto intitulado “Tratado da Transparência e da Quietude Permanente”, onde se diz:

“O Grande Caminho não tem forma, e é o criador do céu e da terra. O Grande Caminho não tem sentimento e movimenta o sol e a lua. o Grande Caminho não tem nome e cultiva os dez mil seres.”

O Céu Anterior não tem nome nem nada porém essa mesma natureza pode cultivar todas as imagens, criar todos os seres.

O Vaio que permite tudo existir é o Tao do Céu Anterior.

Todo o que existe é o Tao do Céu Posterior.

Se não houver o Vazio, o céu e a terra não poderiam ser criados. Também não seria permitido ao céu e à terra entrarem em constante movimento. Não seria permitido que o céu e a terra se reproduzissem, se alimentassem e gerassem suas reproduções, suas crias.

É nesse Vazio que todas as cosias são criadas, são movimentadas e são cultivadas e alimentadas.

Igualmente, se quisermos tornar nossa vida constante e tornar nossa consciência infinita e tornar nossas energias constantemente renovadas, precisamos possuir uma consciência do Vazio, a consciência do Céu Anterior.

Devemos possuir dentro de nós a quietude, o Vazio, o silêncio, para que todas as nossas expressões possam ser manifestadas e não serem interrompidas.

O Céu Anterior não pode ser visto, nem ouvido, nem apalpado. Mas pode ser sentido através de uma consciência além da consciência sensorial, além da consciência formal e racional.

Lao Tse fala fundamentalmente de uma experiência interior para sentir esse Tao, para encontrar esse Tao do Céu Anterior. Não é possível através das palavras, das formas, da linguagem. É preciso ir além da linguagem, além da forma, além do pensamento, para se poder sentir e perceber o que isso é. No entanto, quem percebe o Tao não vai conseguir descrevê-lO.

Na prática da meditação, a gente utiliza a não-visão, a não-audição, e o não-toque e o não-possuir. Para trazer a luz da nossa visão para o interior. Para trazer a audição para o interior, abandonando o apego físico. Fazendo com que a consciência vá além do corpo físico.

Dessa maneira, nós deixamos a respiração fluir naturalmente, colocando a consciência dentro dessa energia que flui e, em seguida, entramos num estado de uma espécie de caos.

Dentro desse caos, surgirá uma força que não conhecíamos antes. E essa força que surge é o que chamamos de “Matéria Prima”, que é uma energia, ou força primordial, que surge dentro de nós. Quando essa força surge, precisamos agarrá-la, recolhê-la e trazê-la para nós. Colocamo-nos dentro dessa força nova, fazendo uma força nova surgir dentro de nós.

O Tao do Céu Anterior não tem forma, portanto não pode ser alcançado através da forma.

Ele está além da linguagem, não podemos chegar a ele através da linguagem.

Na prática espiritual do Taoísmo, se rompe a barreira do racional, a barreira do sensorial, a barreira de tudo aquilo que costumamos viver, que estamos acostumados a sentir. Entramos num estado que não conseguimos descrever. Esse estado é o Caos Primordial - onde não há diferenciação, onde não há separação da consciência e da energia.

Nesse estado, encontramos essa força pura que é ao mesmo tempo, uma consciência e uma vitalidade.

Usando a linguagem da alquimia, é preciso então “recolher! A matéria prima para torná-la parte de nós. Nós vamos naturalmente nos integrando com ela, fazendo com que essa força desconhecida torne-se nós mesmos, fazendo com que nós nos tornemos essa força até aqui anteriormente desconhecida.

A partir daí, alcança-se a experiência do Céu Anterior.

Por isso, Ele diz “se fundem e se tornam um”.

Nós vamos nos fundindo com algo que é impalpável, inaudível e invisível. Mesmo sendo pessoas que têm visão, audição e sensação física, rompemos todas essas barreiras e encontramos o invisível, o inaudível e o impalpável. Nos fundimos com isso e nos tornamos um só.

Esse é o retorno ao Caos Primordial, fazendo com que o caminho interior e o caminho exterior se tornem um só, fazendo com que o caminho do inconsciente e o caminho do consciente se tornem um só. Fazendo com que o nosso manifestado e o nosso não-manifestado se tornem um só. Fazendo com que o Céu Anterior e o Céu Posterior se tornem um.

Nesse momento, chegamos a viver uma experiência mística que não pode ser descrita em palavras.

O estado do Um, que é uma fusão entre o praticante do Tao e o próprio Tao, como seria?

Lao Tse tenta interpretar este estado quando diz:

Quando superior não é luminoso
Quando inferior não é vago

Não é uma sensação de irradiação luminosa. Nem é uma sensação de um vazio, de um vácuo, da falta de alguma coisa. Trabalha-se com a fusão da consciência com o sopro. Essa é uma das características fundamentais da prática taoísta.

Quando chegamos a esse estado, atingimos uma quietude, um caos que não é propriamente uma espécie de tranqüilidade total, não é uma espécie de vácuo que se entra no vazio e não se sente mais nada. Não é isso. também não é a sensação de mil energias, iluminações radiantes.

Por isso, Ele diz: Quando superior não é luminoso / Quando inferior não é vago. Precisamos estar atentos para não cairmos nas polaridades.

O que seria esse estado do Caos?

O Constante que não pode ser nomeado
É o retorno à não-existência
É a expressão da não-expressão
É a imagem da não-existência
A isso se chama indeterminado

O Caos primordial não pode ser determinado. Por um lado é constante, tem uma constância, essse Caos é eterno. Mas não pode ser nomeado porque está além das palavras.

E como seria?

“É o retorno à não-existência” - Retorno além da forma e anterior às manifestações.

E a expressão dessa não-expressão é exatamente a imagem da não-existência. Imaginamos a imagem da existência. A imagem da pessoa. E a imagem da não-pessoa, como seria?

Lao Tse joga com os contrários.

Não dá para imaginar a imagem da não-imagem porque imagem da não-imagem está além das imagens - então não se pode imaginar.

É preciso ir além da imaginação e então se saberá.

O que o Taoísmo interpreta como Caminho Esotérico não é o instrumento técnico, o segredo, mas sim a experiência profunda que só pode ser saboreada pela pessoa e esse sabor não pode ser transcrito, revelado diretamente.

Tudo o que Lao Tse está dizendo, está rodeando o Tao, tentando fazer com que nós usemos nossa intuição e que não leiamos ao pé-da-letra. Ele está tentando nos dizer algo que não pode ser falado.

Em seguida, Ele diz:

Encarando-o, não vejo sua face
Seguindo-o, não vejo suas costas

Nós olhamos para uma pessoa, encarando-a no rosto. Se a olharmos por trás, veremos suas costas.

O Tao do Céu Anterior, ao ser encarado, nada se vê. Seguindo-o por trás, nada vemos.

Na antiguidade na China, costumava-se simbolizar os grandes mestre que alcançaram este estado com o Dragão. O dragão chinês é diferente do dragão ocidental, do dragão de São Jorge. O dragão chinês é uma mistura de vários animais simbólicos, chifres de veado, testa de cachorro, escamas de peixes grandes e douradas, etc. Segundo a lenda, quando o dragão aparece no céu, está sempre envolvido em nuvens, nunca conseguimos vê-lo por inteiro. É como uma força nebulosa.

Essa descrição é, na verdade, uma descrição simbólica que representa a experiência mística de inúmeras pessoas. Quando o dragão aparece, surge uma espécie de luzes douradas parecendo uma cobra nadando.

Na prática mística taoísta, um pouco mais avançada, existem fenômenos de entrada de força do dragão na pessoa. Essa força desde do céu como uma espécie de serpente de dragão, luzes douradas misturadas com outras cores, entrando e saindo do corpo da pessoa, rodeando-a por inteiro.

Parece que chove ouro, com pintinhos de chuva dourada. Esses dourados e prateados se alternam, girando. Essa é uma interpretação do simbolismo do dragão.

Os grandes mestres, na hora de sua ascensão, têm os grandes dragões que descem para carregá-los para o céu com corpo e tudo. Esses são grandes dragões e não aquelas outras serpentes de luzes que envolvem o corpo da pessoa. São dragões gigantescos, com raios e trovoadas.

O Mestre Celestial - que é o fundados da rodem Ortodoxa Unitária - teve uma ascensão assim.

Quem mantém o Caminho Ancestral,
Poderá governar a existência presente
Quem conhece o Princípio ancestral,
Encontrará a ordem do Caminho.

O que é o Caminho Ancestral e o que é a Ordem do Tao?

Caminho Ancestral é o Caminho do Princípio. No I Ching, existem quatro palavras que representam as quatro virtudes;

O princípio
A abertura
A fluidez
A retidão

Uma pessoa que encontra o princípio, tem abertura. Tendo abertura na vida, encontra a fluidez. Na fluidez, é preciso ter retidão para se poder constantemente manter o princípio, abrir novos caminhos, fluir com retidão para novamente encontrar o princípio. Assim se manifesta a infinitude.

Por isso, Ele diz:

Quem mantém o Caminho Ancestral,
Poderá governar a existência presente

Na verdade, o presente está em todos os momentos do passado, do presente e do futuro. Normalmente, nós não vivemos o presente. Sempre estamos vivendo em função de alguma coisa passada ou em função de alguma coisa futura.

Estamos sempre sendo pressionados pelos Karmas, vivendo uma condição atual gerada por nossos atos anteriores, vivendo em função de um passado.

O Homem Sagrado não vive em função do passado nem em função do futuro. Ele vive o presente.

Para se poder viver o presente, é preciso superar a limitação do karma. É preciso ter então, dentro de si, o Caminho Ancestral. Assim sendo, se flui naturalmente no Universo com retidão.

Mestre Maa sempre nos diz: “ Quem está seguindo o Caminho do Tao, quem flui de acordo com o Tao, suas atitudes são naturalmente atitudes de Retidão.!

Não precisamos necessariamente cumprir códigos morais para nos tornar pessoas com moral. Uma pessoa que segue o Tao, naturalmente, seu caminho será o caminho da Retidão. Quem está de acordo com o Tao, é impossível que tenha atitudes fóra do Tao.

O correto para o Taoísmo é o resultado de uma vivência interior e não um condicionamento de um preceito ou de uma série de preceitos.

Pode até ser que uma pessoa antes de seguir o Tao, não tenha suas atitudes assim tão “corretas”. Mas, ao fluir com o Tao, naturalmente, terá atitudes corretas. Sem que este “correto” seja um condicionamento ou seja uma prisão. O correto, para nós, representa o caminho da consciência. na consciência, caminha-se corretamente. Caminha-se corretamente através da consciência.

Quem conhece o Princípio ancestral,
Encontrará a ordem do Caminho.

O que é a Ordem do Caminho, a Ordem do Tao? É uma ordem que não tem princípio nem fim.

Todas as ordens, todas as organizações, todas as leis, têm um princípio e um fim.

A Ordem do Tao, como Lei do Universo, é a Lei da Infinitude, ou seja, uma ordem que não tem princípio nem terá um fim.

Quem vive e conhece o Princípio Ancestral, encontra a Ordem da Infinitude.

Isso foi o Capítulo 14.

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FOTO: Lírio-do-Brejo - by Janine Milward

O Capítulo 14 foi ministrado em duas Aulas por Wu Jyh Cherng
Na Sociedade Taoísta do Brasil, Rio de Janeiro, em 13 e em 19 de setembro de 1995
Aulas transcritas e sintetizadas por Janine Milward

TAO TE CHING

O LIVRO DO CAMINHO E DA VIRTUDE

Lao Tse, o Mestre do Tao

Tradução e Interpretação do Capítulo 14
do Tao Te Ching, de Lao Tse,
por WU JYH CHERNG

Transcrição e Síntese de Aula Gravada na Sociedade Taoísta do Brasil,
Rio de Janeiro, em 13 e 19 de setembro de 1994

Transcrição e Síntese de Janine Milward

A tradução dos Capítulos do Tao Te Ching foi realizada por Wu Jyh Cherng,
do chinês para o português,
e foi primeiramente publicada pela Editora Ursa Maior,
sendo hoje publicada pela Editora Mauad, São Paulo, Brasil

Nesta mesma Editora, encontra-se
a realização da publicação das interpretações de Wu Jyh Cherng
acerca os 81 Capítulos da obra máxima de Lao Tse, o Tao Te Ching


O Capítulo 14 foi ministrado em duas Aulas por Wu Jyh Cherng
Na Sociedade Taoísta do Brasil, Rio de Janeiro, em 13 e em 19 de setembro de 1995
Aulas transcritas e sintetizadas por Janine Milward

Foto: TAO TE CHING
O LIVRO DO CAMINHO E DA VIRTUDE
LAO TSE, o Mestre do Tao
Tradução e Interpretação do Capítulo 14
do Tao Te Ching, de Lao Tse,
por WU JYH CHERNG

Capítulo 14

Aquilo que se olha e não se vê, se chama invisível
Aquilo que se escuta e não se ouve, se chama inaudível
Aquilo que se abraça e não se possui, se chama impalpável
Estes três não podem ser revelados
Por isso se fundem e  se tornam um

Quando superior não é luminoso
Quando inferior não é vago

O Constante que não pode ser nomeado
É o retorno à não-existência
É a expressão da não-expressão
É a imagem da não-existência
A isso se chama indeterminado

Encarando-o, não vejo sua face
Seguindo-o, não vejo suas costas

Quem mantém o Caminho Ancestral,
Poderá governar a existência presente
Quem conhece o Princípio ancestral,
Encontrará a ordem do Caminho.

Nota da Transcritora:  Este Capítulo foi interpretado em duas aulas.

No primeiro trecho, aparentemente, Lao Tse está no falando sobre o óbvio: aquilo que não se Vê se chama invisível, aquilo que não se ouve se chama inaudível, o que não se possui se chama impalpável.

Se ele dissesse o contrário, que o que não se Vê se chama visível, aí então estaria em contradição.  No entanto, para que o invisível, o inaudível e o impalpável possam ser visível, audível e palpável, têm que ser o que se olha, o que se escuta e o que se abraça.  Ao mesmo tempo que não se vê, que não se ouve e que não se possui.

Nessas três frases Ele fala da importância de se encontrar algo que está além dos sentidos.

Ele diz que
- olhar é diferente de ver
- escutar é diferente de ouvir
- abraçar é diferente de possuir

A terceira frase que diz: “Aquilo que se abraça e não se possui, se chama impalpável” é bem mais fácil de entender porque no Capítulo anterior, Lao Tse diz que o Homem Sagrado abraça o mundo mas não possui o mundo.

O abraço que não possui não é o abraçar a forma.  E não é uma forma de abraço.  Qualquer coisa que tenha uma forma pode ser abraçada.  É palpável.  Quando se abraça sem possuir, não se pode abraçar através da forma.  Nosso corpo é uma forma.  Uma forma abraça outra forma.  Para poder abraçar sem possuir não se pode abraçar através da forma.

Dessa maneira, Lao Tse está falando em ver, escutar e abraçar aquilo que não tem forma.

Em seguida, através da não-forma, pode-se abraçar o que se vê, o que se ouve, o que é palpável.

Em relação às coisas do mundo, devemos abraça-las através da não-intenção, do não-julgamento.  Dessa maneira, podemos ver mas não olhar; abraçar mas não possuir; escutar mas não ouvir.

Aquilo que é invisível, inaudível e impalpável não pode ser visto através dos olhos, nem ouvido através dos ouvidos, nem apalpado com as mãos.

É preciso se ouvir através de um sentido mais profundo.  Ver, não através dos olhos e sim com a consciência mais profunda.  Abraçar, não com as mãos mas através de um sentido mais profundo.

Ao mesmo tempo que se fala de uma busca, de uma procura de algo que está além da linguagem.  Tudo o que pode ser visto, ouvido, apalpado, são cosias que estão dentro da linguagem.

Ele fala de se buscar algo que está além da linguagem, além da forma.  Além da limitação.  Além do tempo e além do espaço.  Esse algo que é infinito, indivisível, que não tem forma e não tem imagem nem linguagem, é o que chamamos de Tao.  A pessoa que consegue encontrar esse algo, está se realizando no Tao.

Essa é exatamente a busca do Tao.

Por outro lado, Lao Tse nos diz que isso também não significa que iremos renunciar ao que está do lado de cá.,

Não podemos deixar de viver e encarar a vida, ou seja, a busca desse algo que está além do tempo e do espaço, não serve como pretexto para deixarmos de ser responsáveis, para deixarmos de trabalhar, de viver a vida, de fazer o que tem que ser feito.

Se pressupormos esse algo infinito que não tem forma nem imagem como algo fóra de nós, estaremos buscando algo f´ra de nós.  E isso é uma espécie de fuga.

A infinitude se encontra dentro de nós.

E porque essa infinitude está dentro de nós é que a maneira de encontrá-la é vivê-la!  Vivê-la é utilizá-la para viver a coisa certa.  Ou seja, viver através do não-julgamento, da não-intenção, da não-linguagem, do coração esvaziado, transparente e quieto para encarar tudo aquilo que está em torno de nós, que nos envolve.

Isso é o que Ele quer significar quando diz “olhar e não ver, escutar e não ouvir, abraçar e não possuir”.

Sempre que queremos abraçar e possuir algo passamos a enfrentar nossas grandes frustrações.

Tudo o que existe no mundo que pode ser abraçado, não pode ser possuído.  Seu carro um dia apodrecerá, seu amor um dia morrerá ou deixará você.  Você pode ter uma ideologia e um dia pode mudar de opinião.  Tudo o que existe no universo está em constante transformação e assim, não pode ser abraçado.  A fotografia um dia amarela e se perde.  A memória de algo que já não mais existe, um dia desaparece.

No Taoísmo, não se projeta uma meta para ser alcançada e depois se projeta outra meta.  O tempo inteiro temos que ir integrando as coisas, caminhando junto, sem que haja a intenção de alterar o fluir das coisas.

Quando se faz as coisas com intenção, quando o projeto fica pronto, tem que se buscar outro.  A intenção é um condicionamento que não nos permite fluir com naturalidade, que não nos permite nos integrar com o todo, sem barreiras.  A intenção é fruto do ego.  Na intenção, pensamos que as coisas são eternas e indissolúveis, no entanto, na é eterno ou indissolúvel.

Temos que reconhecer até que ponto é  possível ou impossível; temos que reconhecer nossos apegos ou não-apegos.  Quando não criamos nenhum truque para esconder nossas incapacidades, aí então teremos a oportunidade de transformá-las.

A intenção não é necessária, é apenas um fator que existe e que, ao ser trabalhado, um dia deixará de existir.  A intenção inicial é para despertar a auto-destruição do ego.

Um governante taoísta deve usar a intenção de governar seu povo, administrar o país de acordo com as necessidades de seu povo, ele tem que abraçar o povo sem possuí-lo, sem dominá-lo.  Tem que deixar o destino do povo fluir, sendo apenas um assistente e não um interventor.

Uma consciência em estado mais puro não tem desejo, não tem intenção, não tem julgamento.  É uma consciência transparente.

O Homem Sagrado é aquele que realiza obras para as pessoas e essas pessoas nem realmente percebem que foram beneficiadas.  O Homem Sagrado não tem necessidade de ser reconhecido.  Faz o que tem que ser feito e quando chega a hora, se retirar e pronto.  Acabou.

Chung Tzu, em um dos seus contos, fala de um encontro simulado entre três pessoas provenientes de três reinos.  Essas pessoas falam cada um sobre seu país:

O primeiro diz:  Meu governante é um tirano, explorador, escravizador.
O segundo diz:  Meu rei é muito bom, organizador, as leis são claras, tudo está em seu lugar.
O terceiro diz:  Não sei quem é meu rei.  O povo vive, planta, colhe e tudo acontece.  Nunca vimos o rei, nem ouvimos falar sobre ele, nem ao menos sabemos onde vive.

Essa é a utopia do Taoísmo.  As coisas apenas são e não precisam aparecer nem serem reconhecidas.  Apenas são.

Nosso corpo é um pequeno reino. Temos mil pedacinhos dentro de nós.  E temos um  governante que é nossa consciência, nossa mente.  Nossa consciência faz com que nosso corpo, ou seja, nossa totalidade, possa fluir sem sentir o peso da consciência.  e a consciência nunca deixa de fazer as cosias.  Apenas que deve ser transparente, menos julgadora, mais quieta, ouvindo as necessidades de cada célula, de cada osso, de cada músculo.  Não através de um processo racional mas através de um processo natural de correspondência que a tudo  soluciona, fazendo com que o corpo todo fique em harmonia.

Isso é a primeira   governança.  A través desse conceito do Taoísmo, a pessoa dá seu primeiro passo na convivência com tudo.  E usa esse mesmo princípio para administrar tudo aquilo que está em torno de sua vida, sua família, seu trabalho, todo o ciclo.  Realizando a vida nesse princípio, a pessoa pode expandir e organizar sua convivência com o mundo inteiro.

A consciência é o núcleo de onde tudo gira em torno: nosso corpo, nosso sangue, nossa energia, tudo o que está vivo em nós.  Nosso espírito, nossa consciência é um centro de gravidade, como se fosse um imã.

Igualmente, o homem, através de um processo de auto-realização, se torna um espírito puro que se amplia se tornando um espírito iluminado em nível individual, depois familiar e social, então da sociedade e um monte de pessoas girarão em torno desse espírito iluminado.  Quanto maior o grau de iluminação, maior grau se torna o espírito para o mundo.  Esse é o processo de Sagração do Homem.

Isso é o que chamamos de Tao.

O Tao é algo bonito, algo como a união da consciência e a vida, algo vital que possui em si uma consciência.

Para isso acontecer, em nossa prática de meditação, temos que colocar a consciência dentro do ar que respiramos.

Com o tempo, em nossa meditação, a respiração vai ficando mais lenta, mais lenta até que a respiração física fica praticamente parada.  Ficamos todo o tempo observando a respiração e chaga uma hora em que não se tem mais respiração.  Com o tempo, se sente uma força suave, bem suave e vamos nos integrando com esta força.  Essa experiência é invisível, inaudível e impalpável, porém existente.

No Taoísmo, existe um conceito muito importante sobre o Caminho Esotérico.  Essa definição diz que o Caminho Esotérico não significa astrologia, tarot, magia, etc.  O Caminho Esotérico é uma experiência que somente a pessoa pode saborear.  Onde a consciência rompe as barreiras daquilo que é visível, audível e palpável.  É quando a consciência consegue romper as barreiras físicas do visual, do auditivo e do sensorial e consegue entrar no universo.  E aí encontra uma força, que é a força primordial, uma força que é a raíz do universo.  É quando se consegue mergulhar para dentro desse universo, dessa força, e fluir com esta força e se tornar a própria força.

Nesse momento, se alcança uma experiência que não pode ser descrita através das palavras ou das imagens ou da forma ou da linguagem.

Uma sensação, uma compreensão, uma consciência que só nós sabemos que lá chegamos.  Isso é o Caminho Esotérico.  Um caminho de segredos, um caminho interior.  Interior no sentido de que não é visível aos outros.

Nos trechos posteriores, Lao Tse vai falar sobre isso.  essa experiência é uma experiência única, ou seja, é uma experiência que não dividimos com ninguém.  Não existem polaridades, estamos num estado onde tudo é um só.  É como se tivéssemos diferentes cores de tinta, vermelho, azul, amarelo, verde, laranja... e, ao juntá-las todas, teremos uma mistura, sem nenhuma definição.

A nossa consciência, em sua viagem interior, chega a um ponto onde não existe a separação das coisas.  É algo indivisível e inseparável como se fosse um caos - esse caos é exatamente a raiz do universo.  É lá que nascem todas as forças e todos os verdadeiros e eternos poderes que geram os seres, os planetas, as galáxias e todos os espíritos.

Nessa hora se chegou à raiz do universo e nos tornamos a raiz do universo.  A raiz do universo é o que chamamos de caos primordial.

Para se mergulhar no caos primordial, é preciso ter despojamento, tirar as amarras, as limitações e, inevitalmente, jogar o ego fóra.

Entramos profundamente e quando atingimos a raiz do universo, passamos a ser o centro de todas as coisas, e então podemos perceber que tudo aquilo que jogamos fóra, não foi perdido, simplesmente se tornou periferia em nossa vida e não mais o centro de nossa vida.

Portanto, o Homem Sagrado que alcança a plenitude da vida e da consciência, não se torna incapacitado nem perde a memória, pelo contrário, ele passa a ser a raiz que tem acesso a todas as atividades, trabalhos e acontecimentos.  Ele passa a ter suas potencialidades aumentadas e não diminuídas.

Para se descobrir essa experiência não precisa se chegar até a raiz.  Existem muitas dimensões com estágios da consciência de acordo com o nível em que estamos vivendo.  De uma raiz nascem dois terminais que se expandem até o infinito, progressivamente.  Nessas infinitas expansões, existe um centro.

Na prática mística, esse mergulho ao caos primordial é gradual, leva tempo; às vezes anos vidas e mais vidas para se realizar essa viagem.  Cada vez se consegue ir mais profundamente.

Na prática mística, vemos que a consciência, em vez de se limitar, se amplia.  Não precisa se atingir o último ponto - o caos primordial - para poder abraçar todas as coisas.  Andando um milésimo, teremos um milésimo de resultado que é análogo ou similar a aquele de quem chegou até o centro, à raiz.  Apenas que, quem atinge o centro, atinge uma plenitude absoluta.  Quem alcança outros pontos, atinge uma plenitude mais limitada.  No entanto, sempre haverá uma ampliação da consciência.

Por isso, a prática da meditação é essencial.  É um instrumento para desenvolvermos nossa ascensão.

Por que se faz isso?

Porque numa condição comum, é muito difícil realizar a subida da consciência.  nossos hábitos, costumes e problemas cotidianos nos viciam.  Comportamentos de ira e de raiva fazem com que nossa consciência não transcenda.

Por isso devemos, diariamente, tirar uma hora do nosso cotidiano de vida, sem interferência de ninguém, para podermos desenvolver essa quietude interior para se tentar mergulhar no caos primordial.

Em seguida, Lao Tse diz:

Quando superior não é luminoso
Quando inferior não é vago

Uma consciência transparente não é ofuscante.  Os mestres  taoístas são humildes.  Não irradiam luzes ofuscantes.  Agem como pessoas normais.

Quem vive o Tao, vive com simplicidade.

Na verdade, nem todos os mestres taoístas chegaram ao Absoluto.  São poucas as pessoas que atingem a vida e a consciência infinitas.  Eles podem ser mestres porque já atingiram algumas escalas acima de nós, mais ainda não atingiram o centro.

O mestre taoísta vive como uma pessoa comum.

Mestre Maa, nosso mestre, durante sua vida teve vários problemas quando jovem por causa da primeira guerra mundial.  Abandonou a família, viveu só entre os 20 e 35, 40 anos.  Encontrou-se com seu mestre, entrou na floresta, se retirou, atingiu um nível bastante alto mas não chegou ao Absoluto.  Mais tarde, ele sentiu a necessidade de ter mais segurança social no sentido de ter uma família, casou-se, trabalhou e teve filhos e  viveu até se aposentar e depois continuar, paralelamente, ensinando.

No Taoísmo, a primeira coisa que se faz é cair na real.  Tentar se conhecer.  O que eu consigo, o que eu não consigo, quais são minhas necessidades de vida.  tudo isso é muito lento.  Não existem ‘receitas’ para se atingir a iluminação.

No processo de iluminação e no processo da consciência, não adianta criar falsas expectativas, criar mentiras para si mesmo.

(Aqui terminou a primeira fita do Capítulo 14 - aparentemente, a aula desse dia terminou aqui - Aula de 13 de setembro de 1994).

Aula de Continuidade ao Capítulo 14
Ministrada em 20 de setembro de 1994

Aquilo que se olha e não se vê, se chama invisível.  Aquilo que se escuta e não se ouve, se chama inaudível.  Aquilo que se abraça e não se possui, se chama impalpável.  Esses três não podem ser revelados.  Por isso, se fundem e se tornam um.  Quando superior não é luminoso.  Quando inferior, não é vago.  O Constante que não pode ser nomeado é o retorno à não-existência.  É a expressão da não-expressão.  É a imagem da não-existência.  A isso se chama indeterminado.  Encarando-o, não vejo sua face.   Seguindo-o, não vejo suas costas.  Quem mantém o Caminho Ancestral, poderá governar a existência presente.  Quem conhece o Princípio Ancestral, encontrará a Ordem do Caminho.

Na prática mística, esse trecho basicamente se refere ao “Caminho do Céu Anterior” - ao Tao do Céu Anterior.

O Céu Anterior difere do Céu Posterior porque este ultimo representa o universo manifestado e o primeiro, representa a condição prévia do Absoluto, aquilo que não tem forma, nem imagem, nem linguagem.  Não tem som, não tem corpo, não pode ser apalpado, não pode ser escutado, não pode ser visto de forma alguma.

Existe um texto intitulado “Tratado da Transparência e da Quietude Permanente”, onde se diz:

“O Grande Caminho não tem forma, e é o criador do céu e da terra.  O Grande Caminho não tem sentimento e movimenta o sol e a lua.  o Grande Caminho não  tem nome e cultiva os dez mil seres.”

O Céu Anterior não tem nome nem nada porém essa mesma natureza pode cultivar todas as imagens, criar todos os seres.

O Vaio que permite tudo existir é o Tao do Céu Anterior.

Todo o que existe é o Tao do Céu Posterior.

Se não houver o Vazio, o céu e a terra não poderiam ser criados.  Também não seria permitido ao céu e à terra entrarem em constante movimento.  Não seria permitido que o céu e a terra se reproduzissem, se alimentassem e gerassem suas reproduções, suas crias.

É nesse Vazio que todas as cosias são criadas, são movimentadas e são cultivadas e alimentadas.

Igualmente, se quisermos tornar nossa vida constante e tornar nossa consciência infinita e tornar nossas energias constantemente renovadas, precisamos possuir uma consciência do Vazio, a consciência do Céu Anterior. 

Devemos possuir dentro de nós a quietude, o Vazio, o silêncio, para que todas as nossas expressões possam ser manifestadas e não serem interrompidas.

O Céu Anterior não pode ser visto, nem ouvido, nem apalpado.  Mas pode ser sentido através de uma consciência além da consciência sensorial, além da consciência formal e racional.

Lao Tse fala fundamentalmente de uma experiência interior para sentir esse Tao, para encontrar esse Tao do Céu Anterior.  Não é possível através das palavras, das formas, da linguagem.  É preciso ir além da linguagem, além da forma, além do pensamento, para se poder sentir e perceber o que isso é.  No entanto, quem percebe o Tao não vai conseguir descrevê-lO.

Na prática da meditação, a gente utiliza a não-visão, a não-audição, e o não-toque e o não-possuir.  Para trazer a luz da nossa  visão para o interior.  Para trazer a audição para o interior, abandonando o apego físico.  Fazendo com que a consciência vá além do corpo físico.

Dessa maneira, nós deixamos a respiração fluir naturalmente, colocando a consciência dentro dessa energia que flui e, em seguida, entramos num estado de uma espécie de caos.

Dentro desse caos, surgirá uma força que não conhecíamos antes.  E essa força que surge é o que chamamos de “Matéria Prima”, que é uma energia, ou força primordial, que surge dentro de nós.  Quando essa força surge, precisamos agarrá-la, recolhê-la e trazê-la para nós.  Colocamo-nos dentro dessa força nova, fazendo uma força nova surgir dentro de nós.

O Tao do Céu Anterior não tem forma, portanto não pode ser alcançado através da forma.

Ele está além da linguagem, não podemos chegar a ele através da linguagem.

Na prática espiritual do Taoísmo, se rompe a barreira do racional, a barreira do sensorial, a barreira de tudo aquilo que costumamos viver, que estamos acostumados a sentir.  Entramos num estado que não conseguimos descrever.  Esse estado é o Caos Primordial - onde não há diferenciação, onde não há separação da consciência e da energia.

Nesse estado, encontramos essa força pura que é ao mesmo tempo, uma consciência e uma vitalidade.

Usando a linguagem da alquimia, é preciso então “recolher! A matéria prima para torná-la parte de nós.  Nós vamos naturalmente nos integrando com ela, fazendo com que essa força desconhecida torne-se nós mesmos, fazendo com que nós nos tornemos essa força até aqui anteriormente desconhecida.

A partir daí, alcança-se a experiência do Céu Anterior.

Por isso, Ele diz “se fundem e se tornam um”.

Nós vamos nos fundindo com algo que é impalpável, inaudível e invisível.  Mesmo sendo pessoas que têm visão, audição e sensação física, rompemos todas essas barreiras e encontramos o invisível, o inaudível e o impalpável.  Nos fundimos com isso e nos tornamos um só.

Esse é o retorno ao Caos Primordial, fazendo com que o caminho interior e o caminho exterior se tornem um só, fazendo com que o caminho do inconsciente e o caminho do consciente se tornem um só.  Fazendo com que o nosso manifestado e o nosso não-manifestado se tornem um só.  Fazendo com que o Céu Anterior e o Céu Posterior se tornem um.

Nesse momento, chegamos a viver uma experiência mística que não pode ser descrita em palavras.

O estado do Um, que é uma fusão entre o praticante do Tao e o próprio Tao, como seria?

Lao Tse tenta interpretar este estado quando diz:

Quando superior não é luminoso
Quando inferior não é vago

Não é uma sensação de irradiação luminosa.  Nem é uma sensação de um vazio, de um vácuo, da falta de alguma coisa.  Trabalha-se com a fusão da consciência com o sopro.  Essa é uma das características fundamentais da prática taoísta.

Quando chegamos a esse estado, atingimos uma quietude, um caos que não é propriamente uma espécie de tranqüilidade total, não é uma espécie de vácuo que se entra no vazio e não se sente mais nada.  Não é isso.  também não é a sensação de mil energias, iluminações radiantes.

Por isso, Ele diz:  Quando superior não é luminoso / Quando inferior não é vago.  Precisamos estar atentos para não cairmos nas polaridades.

O que seria esse estado do Caos?

O Constante que não pode ser nomeado
É o retorno à não-existência
É a expressão da não-expressão
É a imagem da não-existência
A isso se chama indeterminado

O Caos primordial não pode ser determinado.  Por um lado é constante, tem uma constância, essse Caos é eterno.  Mas não pode ser nomeado porque está além das palavras.

E como seria?

“É o retorno à não-existência” - Retorno além da forma e anterior às manifestações.

E a expressão dessa não-expressão é exatamente a imagem da não-existência.  Imaginamos a imagem da existência.  A imagem da pessoa.  E a imagem da não-pessoa, como seria?

Lao Tse joga com os contrários.

Não dá para imaginar a imagem da não-imagem porque imagem da não-imagem está além das imagens - então não se pode imaginar.

É preciso ir além da imaginação e então se saberá.

O que o Taoísmo interpreta como Caminho Esotérico não é o instrumento técnico, o segredo, mas sim a experiência profunda que só pode ser saboreada pela pessoa e esse sabor não pode ser transcrito, revelado diretamente.

Tudo o que Lao Tse está dizendo, está rodeando o Tao, tentando fazer com que nós usemos nossa intuição e que não leiamos ao pé-da-letra.  Ele está tentando nos dizer algo que não pode ser falado.

Em seguida, Ele diz:

Encarando-o, não vejo sua face
Seguindo-o, não vejo suas costas

Nós olhamos para uma pessoa, encarando-a no rosto.  Se a olharmos por trás, veremos suas costas.

O Tao do Céu Anterior, ao ser encarado, nada se vê.  Seguindo-o por trás, nada vemos.

Na antiguidade na China, costumava-se simbolizar os grandes mestre que alcançaram este estado com o Dragão.  O dragão chinês é diferente do dragão ocidental, do dragão de São Jorge.  O dragão chinês é uma mistura de vários animais simbólicos, chifres de veado, testa de cachorro, escamas de peixes grandes e douradas, etc.  Segundo a lenda, quando o dragão aparece no céu, está sempre envolvido em nuvens, nunca conseguimos vê-lo por inteiro.  É como uma força nebulosa.

Essa descrição é, na verdade, uma descrição simbólica que representa a experiência mística de inúmeras pessoas.  Quando o dragão aparece, surge uma espécie de luzes douradas parecendo uma cobra nadando.

Na prática mística taoísta, um pouco mais avançada, existem fenômenos de entrada de força do dragão na pessoa.  Essa força desde do céu como uma espécie de serpente de dragão, luzes douradas misturadas com outras cores, entrando e saindo do corpo da pessoa, rodeando-a por inteiro.

Parece que chove ouro, com pintinhos de chuva dourada.  Esses dourados e prateados se alternam, girando.  Essa é uma interpretação do simbolismo do dragão.

Os grandes mestres, na hora de sua ascensão, têm os grandes dragões que descem para carregá-los para o céu com corpo e tudo.  Esses são grandes dragões e não aquelas outras serpentes de luzes que envolvem o corpo da pessoa.  São dragões gigantescos, com raios e trovoadas.

O Mestre Celestial - que é o fundados da rodem Ortodoxa Unitária - teve uma ascensão assim.

Quem mantém o Caminho Ancestral,
Poderá governar a existência presente
Quem conhece o Princípio ancestral,
Encontrará a ordem do Caminho.

O que é o Caminho Ancestral e o que é a Ordem do Tao?

Caminho Ancestral é o Caminho do Princípio.  No I Ching, existem quatro palavras que representam as quatro virtudes;

 O princípio
 A abertura
 A fluidez
 A retidão

Uma pessoa que encontra o princípio, tem abertura.  Tendo abertura na vida, encontra a fluidez.  Na fluidez, é preciso ter retidão para se poder constantemente manter o princípio, abrir novos caminhos, fluir com retidão para novamente encontrar o princípio.  Assim se manifesta a infinitude.

Por isso, Ele diz:

Quem mantém o Caminho Ancestral,
Poderá governar a existência presente

Na verdade, o presente está em todos os momentos do passado, do presente e do futuro.  Normalmente, nós não vivemos o presente.  Sempre estamos vivendo em função de alguma coisa passada ou em função de alguma coisa futura.

Estamos sempre sendo pressionados pelos Karmas, vivendo uma condição atual gerada por nossos atos anteriores, vivendo em função de um passado.

O Homem Sagrado não vive em função do passado nem em função do futuro.  Ele vive o presente.

Para se poder viver o presente, é preciso superar a limitação do karma.  É preciso ter então, dentro de si, o Caminho Ancestral.  Assim sendo, se flui naturalmente no Universo com retidão.

Mestre Maa sempre nos diz:  “ Quem está seguindo o Caminho do Tao, quem flui de acordo com o Tao, suas atitudes são naturalmente atitudes de Retidão.!

Não precisamos necessariamente cumprir códigos morais para nos tornar pessoas com moral.  Uma pessoa que segue o Tao, naturalmente, seu caminho será o caminho da Retidão.  Quem está de acordo com o Tao, é impossível que tenha atitudes fóra do Tao.

O correto para o Taoísmo é o resultado de uma vivência interior e não um condicionamento de um preceito ou de uma série de preceitos.

Pode até ser que uma pessoa antes de seguir o Tao, não tenha suas atitudes assim tão “corretas”.  Mas, ao fluir com o Tao, naturalmente, terá atitudes corretas.  Sem que este “correto” seja um condicionamento ou seja uma prisão.  O correto, para nós, representa o caminho da consciência.  na consciência, caminha-se corretamente.  Caminha-se corretamente através da consciência.

Quem conhece o Princípio ancestral,
Encontrará a ordem do Caminho.

O que é a Ordem do Caminho, a Ordem do Tao?  É uma ordem que não tem princípio nem fim.

Todas as ordens, todas as organizações, todas as leis, têm um princípio e um fim.

A Ordem do Tao, como Lei do Universo, é a Lei da Infinitude, ou seja, uma ordem que não tem princípio nem terá um fim.

Quem vive e conhece o Princípio Ancestral, encontra a Ordem da Infinitude.

Isso foi o Capítulo 14.

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FOTO: Lírio-do-Brejo - by Janine Milward

O Capítulo 14 foi ministrado em duas Aulas por Wu Jyh Cherng
Na Sociedade Taoísta do Brasil, Rio de Janeiro, em 13 e em 19 de setembro de 1995
Aulas transcritas e sintetizadas por Janine Milward

TAO TE CHING

O LIVRO DO CAMINHO E DA VIRTUDE

Lao Tse, o Mestre do Tao

Tradução e Interpretação do Capítulo 14
do Tao Te Ching, de Lao Tse,
por WU JYH CHERNG

Transcrição e Síntese de Aula Gravada na Sociedade Taoísta do Brasil, 
Rio de Janeiro, em 13 e 19 de setembro de 1994

Transcrição e Síntese de Janine Milward

A tradução dos Capítulos do Tao Te Ching foi realizada por Wu Jyh Cherng, 
do chinês para o português,
 e foi primeiramente publicada pela Editora Ursa Maior,
sendo hoje  publicada pela Editora Mauad, São Paulo, Brasil

Nesta mesma Editora, encontra-se 
a realização da publicação das interpretações de Wu Jyh Cherng
 acerca os 81 Capítulos da obra máxima de Lao Tse, o Tao Te Ching

 
O Capítulo 14 foi ministrado em duas Aulas por Wu Jyh Cherng
Na Sociedade Taoísta do Brasil, Rio de Janeiro, em 13 e em 19 de setembro de 1995
Aulas transcritas e sintetizadas por Janine Milward